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Crise transforma Masisa em modelo de segurança 

A arte de estabelecer a cultura de segurança entre os trabalhadores foi o tema do painel apresentado pelo engenheiro Alessandro Coser, coordenador de segurança e meio ambiente da Masisa do Brasil, durante a 24ª Jornada Gaúcha de Medicina do Trabalho e o I Fórum de Saúde e Segurança Ocupacional Sogamt, na AMRIGS, em 28 de outubro.

“Não vou trazer dados nem teorias, mas um caso real ocorrido há cinco anos, quando chegamos ao fundo do poço“, advertiu Coser ao iniciar a sua palestra. “Hoje, graças às medidas de segurança adotadas desde então, podemos dizer que saímos daquela situação catastrófica. Além de transformar o ambiente de fábrica em um lugar muito mais agradável de trabalhar, nos tornamos referência nacional como empresa modelo de segurança”, acrescentou. 

Fabricante de painéis de MDP, com capacidade instalada de 650 mil m³ por ano, certificada pela ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS 18001, e  também com o selo do FSC, principal certificado internacional de manejo florestal – para toda a sua cadeia de custódia–, a unidade faz parte de um conglomerado com sede em Santiago, que opera com dez complexos industriais na América Latina.  Dois no Brasil, Montenegro (RS) e Ponta Grossa (PR), um na Argentina, dois no Chile, quatro no México e um na Venezuela. 

22 de setembro de 2012, sábado, 9h. Foi nesse dia em que a Masisa, de capital chileno, inaugurada em março de 2010, com investimentos de R$ 266 milhões, além de ser, na época, uma das Melhores Empresas para se Trabalhar da Você S.A/Exame, e – por quatro anos consecutivos – como uma das 20 empresas-modelo no Guia Exame de Sustentabilidade– entrou em crise.

Uma forte explosão na área das peneiras atingiu quatro colaboradores e três contratados de empresas prestadoras de serviço, numa faixa etária entre 18 e 35 anos.

Resultado: cinco óbitos e um impacto intangível na imagem da empresa que ainda hoje ostenta cicatrizes em seu histórico. 

Custo: cerca de R$ 200 milhões em indenizações e reconstrução da fábrica. Impactos na organização: mudança na presidência e de gerentes na área comercial.

 Na época, de  um quadro de pessoal formado por 330 funcionários, 94 pediram demissão e pelo menos quatro meses foram necessários para a planta avariada pelo incêndio voltar a operar em condições normais.  Uma equipe de psicólogos foi contratada para atender os funcionários mais abalados que não desejavam voltar ao trabalho. Para cada grupo de pessoas afetadas com alto, médio e baixo impacto foi feito um acompanhamento diferenciado.

Com base nas Práticas Recomendadas de Segurança de Processos adotadas pela Du Pont, adaptada para as características da Masisa, em seguida foi instituído um minucioso programa de segurança denominado Projeto Independência. A denominação do programa foi escolhida no sentido de estimular a migração de uma cultura dependente em que as pessoas atribuíam a responsabilidade pela segurança ao Sesmt da empresa para a de independente. Esta etapa  foi divida em duas linhas: a questão comportamental em que se trabalhou disciplina e a de treinamentos, administração dos desvios e revisão do modo de trabalho da empresa. Além disso, foram incluídos também os procedimentos, os fluxos de trabalho e o treinamento, tendo sempre como foco estratégico o comportamento das pessoas.

Após cinco anos de execução do Projeto Independência  em Segurança , Coser, que começou a trabalhar na empresa quatro meses antes do acidente, citou, ao concluir,  quatro estágios em cultura de segurança: o reativo, em que as pessoas acreditam que a segurança é uma questão de sorte; de dependência do Sesmt; o de independência, em que as pessoas assumem a responsabilidade por acreditar que a segurança é um valor individual; e o de interdependência, em que todos sabem que a segurança é um valor e as pessoas se ajudam entre si. 

Hoje, segundo Coser, dos 226 colaboradores, pelo menos 94% fazem parte do estágio interdependente.

“A cultura de segurança é um processo longo, necessita de três a cinco anos para alcançar resultados. Na Masisa, eles vieram um ano depois. As pessoas acataram todas as propostas.  O fato é que o acidente catalisou o nosso processo de implementação da cultura.  A empresa também precisa treinar  seus funcionários constantemente, passando regras e procedimentos de segurança. A segurança começa na família de cada um e depois vai para o trabalho.”

 

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